DOAÇÃO DO VISITADOR ANTONIO PINTO DE MENDONÇA
Escritura de doação, para patrimônio, que faz o Reverendo Cônego Vizitador Antonio Pinto de Mendonça, de huma morada de casa na Villa de Quixeramobim, a seo sobrinho João Pinto de Mendonça, no valor de dous contos de reis, do que pagou sello, como abaixa se declara.
Saibam quanto este publico instrumento de escritura de doação, para patrimônio virem que sendo no Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de mil oito centos cinqüenta e trez, aos vinte e seis do mez de Novembro, do dito anno nesta Capital do Ceará, em meo Escritório forão presentes partes justas e contractadas: a saber de huma como doador, o Reverendo Cônego Vizitador Antonio Pinto de Mendonça, e de outra como doado aceitante, seo Sobrinho João Pinto de Mendonça, pessoas que reconheço pelas próprias – maiores da excepção de que dou fé; e pelo doador me foi dito perante as testemunhas abaixo assignadas, que elle he Senhor e possuidor de huma morada de casa térrea na rua de Santo Antonio, ao lado da Igreja Matriz em Quixeramobim, e como a mesma casa se acha livre e desembaraçada, faz da mesma doação para patrimônio a seo Sobrinho João Pinto de Mendonça, com a condição porem de por morte delle doado passar aos herdeiros delle doante, visto que só faz doação para fins de patrimônio. E logo pelo doado foi dito, que elle aceitaria a presente escritura, com as condições da qual estava contente em virtude do que pagou o sello proporcional a consta do seguinte = Número treis. Pagou mi reis de sello. Ceará vinte e seis de Novembro de mil oito cento e cinqüenta e trez. Raposo. Pacheco. Em fé e testemunho de verdade assim o disserão, outorgarão e doarão e aceitarão, e eu Tabellião como pessoa publica estipulei e aceitei em nome do ausente a quem a favor desta tocar para, e a pedido dos outorgantes fiz a presente escritura nestas cotas, e por ser destribuida pelo distribuidor do foro. Raposo = a qual depois de lida assinarão perante as testemunhas Militão Jader Fiuza Lima e Durval Narbal Pamplona, maiores da excepção e conhecidos de mim Candido José Pamplona, primeiro Tabellião que escrevy.
Cônego Vigário Antonio Pinto de Mendonça
João Pinto de Mendonça
Durval Narbal Pamplona
(Extraído do Livro nº 2 Cartório Feijó – Novembro 1853 – Março 1857 – Fls, 2 e 2v)
DIZIMO DE GADOS GROSSOS

O Presidente da Província do Ceará, João Silveira de Souza, expede em 7 de abril de 1859 o seguinte ofício ao cônego Antonio Pinto de Mendonça, vigário de Quixeramobim e Visitador do Bispado de Olinda:
“O Presidente da Província, considerando sobre a matéria que lhe foi dirigida em 21 de fevereiro findo, pelo proprietário e criador do Município de Quixeramobim, Cônego Antonio Pinto de Mendonça, arrematante do dizimo de gados grossos do mesmo município em 1858, na qual consultou sobre o modo pelo qual se deve pagar o sobredito dizimo, em um ano posterior ao da arrematação, quando o respectivo arrematante não o procurou naquele, se em garrotes, como arrematara, ou se em bois feitos, à vista do tempo decorrido, e se no numero integral à ferra, ou com abate correspondente a cada ano de demora, além dos vinte por cento concedidos pela Lei no primeiro, e qual esse abate deve ser: considerando que sobre essa espécie é omissa a legislação, e que convém estabelecer-se a semelhante respeito alguma regra, quer a bem dos próprios criadores, quer da fazenda, declara que, dado o caso acima figurado, em que o arrematante por ato ou propósito seu não procurar no tempo competente a cobrança do seu dizimo, não tem direito de exigir do criador o mesmo numero de garrotes e muito menos de bois feitos, em qualquer ano que se apresente, pois que isto seria em prejuízo manifesto contra o criador, e com que se locupletaria o arrematante em conseqüência de sua própria culpa ou fraude; que em semelhantes circunstancias o criador só pode ser obrigado a pagar-lhe, ou o dito numero de garrotes com o abate de vinte por cento em cada ano, visto que o espírito da Lei é, que as perdas de cada ano são nessa relação, ou a pagar-lhe em bois feitos o numero daqueles que se verificar depois de examinadas as perdas reais sofridas pelo criador no lapso da mora do arrematante em juízo ou fora dele: cumpre, portanto, que esta decisão se observe na pratica, quanto for possível, em quanto de outro modo não resolve a semelhante respeito a assembléia legislativa provincial, à qual em tempo será submetida”.
VIÚVA CASA-SE COM NETO DO MARIDO
No dia 20 de julho de 1839, o Bispo de Olinda, D. João da Purificação Marques Perdigão, em sua primeira e única visita pastoral ao Ceará, pernoita no Boqueirão de Baixo, localidade situada no município de Russas, casa do tenente coronel José Leão da Cunha Pereira, homem rico e respeitado. Passa aí o dia imediato, ouve missa e crisma várias pessoas. Pernoita no dia 21 e prossegue no dia seguinte sua viagem em demanda de Fortaleza. D. Perdigão jamais poderia imaginar que pouco antes de completar 1 ano de sua visita, aquele local em que pernoitou seria cenário de um dos crimes mais cruéis que o Ceará já presenciou. Com um agravante, involuntariamente contribuíra para o acontecimento, pois sua dispensa de impedimento para que fosse celebrado o casamento religioso entre D. Joanna Sebastiana da Rocha Pita e Joaquim Manuel da Cunha foi o estopim que deflagrou as ações criminosas. João Brígido diz que a dispensa veio do Papa, enquanto Gustavo Barroso afirma que é do Bispo a dispensa. Do Papa ou do Bispo, houve a dispensa que ultrapassou o impedimento e propiciou as núpcias. Aos fatos! Muitos anos antes, Manuel Cunha Pereira, que se tornou o potentado daquela região, casou-se e desse relacionamento nasceram vários filhos, dentre eles o tenente-coronel José Leão da Cunha Pereira. Manuel ficou viúvo e tratou de casar-se com Joanna Sebastiana da Rocha Pita, nascendo os filhos Sabino da Cunha Pereira, de gênio terrível, exaltado e soberbo, e Salvador de Locio Sblitz Cunha, perversamente engraçado. Manuel morre, deixando Joanna viúva jovem. Tempos depois, surgiu o romance entre a ainda jovem viúva Joanna e o jovem capitão Joaquim Manuel da Cunha. Mas havia um empecilho canônico entre os dois. O Capitão Joaquim era neto de Manuel Cunha Pereira, o falecido marido de Joanna. Obtida a dispensa, houve o casamento sob o protesto dos filhos da viúva. João Brígido, com o seu modo cáustico de narrar, diz que na antiguidade as famílias ricas e afidalgadas do sertão casavam, como os gados, quase os pais com as filhas; tudo por amor dos haveres e da tribo! A parentela se dividiu. A maioria ao lado do casal Joanna-Joaquim Manuel. Poucos, com os filhos da viúva, Sabino e Salvador, e seu irmão paterno José Leão. Iniciou-se a luta. Joaquim Manuel foi morto em fins de 39. Joanna, viúva, ameaçada em sua fortuna e na vida de um filho que tivera de Joaquim, abandona a casa e procura refúgio. A vingança foi terrível. À frente dos vingadores estava Francisco José de Sant´Anna, conhecido por Pataca, cunhado de Joaquim Manuel. Pataca e seu bando ataca a casa de José Leão na madrugada do dia 18 de junho de 1840. Com exceção de José Leão e de sua mulher Maria Gomes, que se refugiaram na estribaria, os demais, considerada a inferioridade numérica frente aos assaltantes, permaneceram na casa e procuraram se abrigar em um quarto de paredes reforçadas e portas da maior resistência. Maria Gomes, antes de procurar abrigo na parte externa da casa, no intuito de proteger os que ficaram no quarto aparentemente seguro, lançou as chaves da porta em um pote d´agua. No interior do quarto encontrava-se uma pesada mala contendo munições e que foi colocada ao pé da porta para reforçar a segurança. Os vingadores derrubaram as portas de acesso à casa; ao constatarem que Sabino e os demais estavam no quarto reforçado, dentre os assassinos ergueu-se uma voz: “Façamos, como aos caitetús...venha lenha!”. Desmancharam uma cerca e encostaram a madeira na porta e atearam fogo. Só quando as labaredas começaram a crepitar, Sabino e outros tentaram reagir, mas não conseguiam sair da prisão involuntária. Num momento...e eram pouco mais de 6 horas da manhã do dia 18 de junho de 1840, um medonho estampido se fez ouvir uma légua em derredor da fazenda Boqueirão. O fogo, que tinha fendido a porta, comunicara-se à mala, e esta explodiu, levando pelos ares o pesado teto. No recinto abrasado, arrimadas às paredes do fundo, seis figuras humanas em carvão, algumas com os bacamartes entre as pernas. A nenhuma se podia ligar ao nome, tão desfiguradas e reduzidas estavam; apenas Sabino foi reconhecido por um brilhante que trazia na mão. Já à luz matutina, todos os esconderijos devassados e José Leão foi descoberto posto que estava escondido sob o corpo de Maria Gomes. Pataca, nada tendo contra ela, colocou a arma sobre os ombros de Maria e desfechou um tiro em José Leão, deitando-o por terra. Atiraram-lhe também os cunhados de Pataca, Manoel de Holanda da Cunha e José Francisco da Cunha; e este com o cabra Cabaceira, o acabaram, sangrando-lhe o pescoço, conclui João Brígido. Após a terrível cena, os assassinos passaram ao saque.
OS “ALFINETES” DO PADRE

14 DE DEZEMBRO DE 1801 – Francisco Bento Maria Targini, Escrivão da Provedoria da Fazenda no Ceará, escreve carta ao Padre Elias Pinto de Azevedo, morador em Almofala, nos seguintes termos: “O documento que Vm. me remetteu para cobrar a sua côngrua do tempo que diz servio de Vigário dessa povoação de d´Almofala, não é bastante para o dito effeito, visto que Vm. servio sem as competentes provisões. A respeito de Vm. me offerecer 50$000 para os alfinetes de minha mulher, sua criada, se me offerece dizer-lhe, que ella quando veio de Lisboa, trouxe já os alfinetes que lhe eram precisos para se pregar no Ceará, e que eu desculpo esta sua ouzadia attendendo a sua idade, demência e ao costume com que até a minha chegada se estava de se decidirem semelhantes questões por dinheiro, por ter sido aqui a venalidade companheira inseparável dos Magistrados e Fiscaes da Real Fazenda; o que Vm. sabe ser um crime horroroso e imperduavel em semelhantes homens”, transcreveu o Barão de Studart. Targini estava com a razão ao rejeitar a pretensão do Pe. Elias, pois este somente teria direito a receber a côngrua caso tivesse sido nomeado pároco colado; os registros confirmam que o Pe. Elias exerceu seu ministério como vigário encomendado e nessa condição sua remuneração era de responsabilidade dos seus fregueses. Este o principal motivo pelo qual os vigários encomendados viviam em situação de extrema penúria, pois os fiéis não estavam em condições de assumir as despesas dos vigários. O termo “alfinetes”, empregado pelo Padre Elias, tinha sua origem nas leis de 17 de agosto de 1761 e 4 de fevereiro de 1765, que estabeleceram o PACTO DOTALICIO, cumulativamente com o CONTRATO DOTAL. Pelo DOTALICIO a mulher tinha, no caso de viuvez, o direito de receber certos bens, frutos, pensões ou mesadas para seus ALFINETES. Esclarece Candido Mendes de Almeida, nos comentários ao Título XLVII do Livro Quarto das Ordenações do Reino, que ALFINETES tinham o significado de APANAGIOS e ALIMENTOS. Targini foi figura controversa, mas de reconhecida probidade; foi galgado ao cargo de Tesoureiro Mor do Real Erário do Reino do Brasil e criado Barão de São Lourenço por Decreto de 17.12.1817 e por outro de 3 de maio de 1819, Visconde do mesmo nome.



No dia 1º de maio de 1824 o Diário do Governo do Ceará, o primeiro jornal editado no Ceará e que tinha como redator Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque Mello, o Padre Mororó, almejando ser o porta-voz da Confederação do Equador, presidida por Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, noticia que o Governo expedira oficio no dia 12 de abril ao Cabido da Diocese remetendo-lhe as requisições da Vila do Icó a favor do Padre Domingos da Mota Teixeira, já demitido do cargo de Vigário da Freguesia. O Governo dá os motivos para não serem aceitos os pedidos e solicita que seja preferido o Padre José da Costa Barros. A matéria é lacônica e não enuncia os motivos da recusa. A favor do Padre Costa Barros, o preferido, pesava o fato de ter participado ativamente do movimento republicano, que seu irmão Pedro José, Presidente (deposto) da Província do Ceará e futuro Senador, combatia. Não obstante, menos de dois depois, o Padre Domingos da Mota Teixeira, de volta ao seu paroquiato em Icó, é escolhido por Decreto do Imperador, datado de 22 de janeiro de 1826 e Carta Imperial de 19 de abril, Senador do Império. Ao seu lado estão os outros 3 primeiros Senadores da Província do Ceará: Coronel Pedro José da Costa Barros, o ex-Presidente, João Carlos Augusto de Oeynhausen Gravenburg, ex-Governador da Capitania do Ceará (13 nov 1803-25 set 1806) e futuro Marquez de Aracati, e o Dr. João Antonio Rodrigues de Carvalho. O Padre Domingos da Mota Teixeira fora escolhido de uma lista assim composta:
João Antonio Rodrigues de Carvalho 197 votos
Domingos da Mota Teixeira 169 “
Pedro José da Costa Barros 139 “
Manoel Felipe Gonçalves 108 “
Antonio Joaquim de Moura 105 “
Antonio de Castro Viana 96 “
José Raimundo de Passos Porbem Barbosa 92 “
João Carlos Augusto de Oeynhausen Gravenburg 83 “
Marcos Antonio Bricio 76 “
Gervásio Pires Ferreira 73 “
Mariano Gomes da Silva 68 “
Antonio José Moreira 65 “
O Senador-Padre Domingos Mota Teixeira não compareceu ao Senado para tomar posse e alegou seus motivos, por isso o Senado dirigiu oficio ao Ministro do Império em 22 de setembro de 1827 nos seguintes termos: “Reconhecendo o Senado a legitimidade dos impedimentos alegados por Domingos da Mota Teixeira, nomeado Senador pela Província do Ceará e havendo-o dispensado do exercício do referido cargo; me ordena que assim o participe a V. Excia. para levar ao conhecimento de S. M. o Imperador, a fim de se mandar proceder a nova eleição de pessoa que preencha aquela vaga”. José Marcelo Pinto (RIC – 1958) narra que o pleito eleitoral para a escolha do sucessor do Padre Domingos deu-se em luta acirrada. A eleição aconteceu em 1828, em dias diferentes, nos cinco Colégios da Província: Fortaleza, Crato, Aracati, Sobral e Icó, com o seguinte resultado:
Manuel Inácio de Carvalho Mendonça 110 votos
Manuel do Nascimento de Castro e Silva 91 “
João Vieira de Carvalho 74 “
D. Pedro I escolheu João Vieira de Carvalho, cujos adversários foram bater às portas do Senado, alegando falhas formais e suborno nos Colégios Eleitorais. Após vários enfrentamentos, afinal João Vieira de Carvalho (1º Barão e 1º Conde de Lajes e Marquez do mesmo título) foi nomeado na vaga do Padre Domingos da Mota Teixeira, representando o Ceará.

MEDALHA RAIMUNDO OLIVEIRA FILHO (IV)

· “Ame sua família acima até de você mesmo;
· Tenha uma profissão, pois este é o maior legado que um pai pode deixar para um filho;
· Exerça sua profissão e faça tudo na vida sendo verdadeiro, honesto e justo”.

Este o legado transmitido por um pai extremado e zeloso. Este legado foi recebido pelo companheiro Antonio Hallage. O libanês de raça e fé católica, denotando-se pelo nome dado ao filho numa homenagem ao santo português, conhecido como Antonio de Pádua, certamente inspirou-se na carta de São Paulo aos Filipenses (Fl.4,8) que diz: “Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor. O que aprendestes e herdastes, o que ouvistes e observastes em mim, isto praticai. Então o Deus da paz estará convosco”.
Companheiro Antonio Hallage! O Ceará também foi abençoado com a imigração libanesa muito antes da imigração oficial iniciada no Brasil a partir de 1880, quatro anos após a visita de D. Pedro II ao Líbano. Para se ter uma idéia do fato, em 1875 Francisco Lopes Abath, libanês de segunda geração, nascido no Crato, era ordenado Padre aqui no Ceará.
Muitos foram desbravadores, companheiro Hallage!. João Mires foi o pioneiro do cinema e do transporte coletivo na cidade de Cascavel, a 60 quilometros daqui. Após amealhar algumas economias, mandou buscar suas duas irmãs que ficaram no Líbano. Meses e meses de espera. Um belo dia, recebeu uma carta informando que suas irmãs estavam em Cascavel, mas no seu Paraná. Houve um terrível equívoco quando desembarcaram no Porto de Santos. Foi um Deus nos acuda. Como arranjar dinheiro para mais essa despesa com passagens para a outra Cascavel? Muitos padeceram, mas a maioria venceu. Construíram a bela Igreja sob a invocação de Nossa Senhora do Líbano, situada na confluência da Rua República do Líbano com a Rua Tiburcio Cavalcanti, aquele se findou em Curitiba.
As virtudes excelsas herdadas pelo companheiro Hallage são traduzidas pela família que constituiu com a sua esposa Rosalie, tendo o casal 5 filhos, dos quais 3 foram rotaractianos e 2 foram interactianos.
É ocioso ler o curriculum do companheiro Hallage no tocante às atividades na vida rotária. É significativo dizer tão somente que ele é Diretor de Rotary Internacional; o mesmo cargo que Raimundo Oliveira Filho atingiu. Isso é suficiente para saber-se que é uma vida intensamente dedicada a Rotary. Para quem acompanha a vida rotária dos nossos governadores Meton Vasconcelos, Agerson Tabosa, José Augusto Bezerra e Henrique Vasconcelos, para falar somente do Alagadiço, há de compreender o que seja a vida do companheiro Antonio Hallage. Mas um ponto não é possível deixar de realçar, posto que de vital importância para todos nós. O Companheiro é Engenheiro Eletrônico desde 1968; preside e presidiu empresas nacionais e multinacionais; é professor universitário. Pois bem, neste país onde o Presidente da República, frente a uma gravação de vídeo em que se retrata cenas constrangedoras de corrupção e que ele tem a desfarçatez de dizer que as imagens não falam por si, o Companheiro Hallage nos acena com um sinal de esperança. Diz o companheiro Hallage na Revista Brasil Rotário de fevereiro deste ano : “Tenho uma experiência que gostaria de compartilhar. Ela demonstra a necessidade de atuarmos de forma responsável e ética em nossa profissão. Eu estava em uma reunião com a diretoria de uma multinacional. Deveria apresentar a solução para alguns atrasos na entrega de um determinado produto, fundamental para a implantação de um sistema de telecomunicações na empresa; algo com um alto valor agregado. Após apresentar novo cronograma que pudesse reparar em parte o atraso, fui questionado pelo presidente da empresa: “Qual a garantia que teremos que vocês irão cumprir estes novos prazos”? Ia responder, quando um dos diretores presentes à reunião, apontando para a minha lapela, disse : “Ele é rotariano, podemos confiar em seu empenho em consegui-lo”. Foi nos dado um crédito de confiança e a minha responsabilidade foi imensamente ampliada. Após aquela reunião, cumprir o prometido tornou-se para mim não só uma questão profissional de provar que a afirmação daquela diretor era válida. Como rotariano, senti-me ao mesmo tempo orgulhoso e comprometido. Cumprimos o prazo. E eu jamais me esqueci da imagem poderosa de integridade e de responsabilidade que portar um distintivo do Rotary na lapela representa.” Diante deste testemunho, nada mais tenho a dizer.Saudação feita por Geová Lemos Cavalcante aos rotarianos Ednilo Gomes de Soarez e Antonio Hallage, em nome do Rotary Clube de Fortaleza -Alagadiço em 15 de abril de 2010 na Federação das Indústrias do Ceará, em Fortaleza
O QUE É A MEDALHA RAIMUNDO OLIVEIRA FILHO

Para tornar perpetuar a memória de tão significativa figura do mundo rotário, o Rotary Clube Fortaleza Alagadiço, no ano rotário 76/77, sob a presidência do companheiro Agapito Cavalcante Mota e por proposta do nosso companheiro Anselmo Albuquerque Frazão, ambos fundadores do Clube e aqui presentes, instituiu a Medalha Raimundo Oliveira Filho, objetivando homenagear rotarianos que se destacarem pelo seu trabalho em beneficio do movimento rotário.
Os rotarianos Martins Filho, Pedro Philomeno Gomes, Raimundo Girão, Ailton Gondim Lóssio, Cláudio Martins, Edson Queiroz, Virgilio Távora, Antonio Gomes Guimarães, Mozart Soriano Aderaldo, Sigefredo Pinheiro, José Barros Maia (Mainha), João Cavalcante, Bertrand Boris, Valdo Almeida e Edílson Brasil Soares, citando-se somente aqueles que já usufruem da glória eterna, receberam a Medalha Raimundo Oliveira Filho.
E nesta noite, o Rotary Clube de Fortaleza Alagadiço inclui em suas fileiras o outro cearense que voltou, EDNILO GOMES SOAREZ, outorgando-lhe a Medalha Raimundo Oliveira Filho.
E por que? Ednilo, o filho de d. Nila e do professor Edílson Brasil Soares, “um irrepreensível varão, diligente e responsável educador”, no dizer de Eduardo Campos, que o conheceu de perto, foi aprimorar seus conhecimentos na Escola Naval e dela saiu Guarda Marinha e logo a seguir promovido a Oficial. Aperfeiçoou-se na língua inglesa. Todavia, seus anseios não estavam completos, graduou-se em Administração de Empresas pela Faculdade de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro. Muito jovem foi nomeado Secretário de Finanças do antigo Estado do Rio de Janeiro. No entanto, atendendo ao apelo de D. Nila e de seus irmãos Ednilton e Ednilze, interrompeu sua trajetória e veio colaborar na obra iniciada pelo professor Edílson Brasil Soares. Pelas mãos fraternas de Ednilton, ingressa no Rotary Clube de Fortaleza, fazendo companhia ao seu grande amigo Marcelo Caracas Linhares, também seu futuro companheiro no Instituto do Ceará. No Rotary, ao alcançar a presidência de seu Clube, dedicou particular atenção à escola mantida por aquele Clube. Ao Alagadiço sempre prestou sua colaboração. Na vida cultural, além de integrar o Instituto do Ceará, ao lado do nosso companheiro José Augusto Bezerra, pertence à Associação Brasileira dos Bibliófilos, à Academia Cearense de Retórica, e à Academia Fortalezense de Letras, da qual é ex-presidente. É sociólogo, e disso deu mostras com o livro “Miscigenação nos trópicos: tristeza ou alegria?”; é romancista e disso é testemunha o livro A Brisa do Mar, sobressaiu-se ainda como Pesquisador Literário em “Ramalho Ortigão, Um marco na literatura portuguesa”. Um intelectual que enobrece a Academia. Mas, sobretudo, Ednilo Soarez é rotariano em sua plenitude, cumpridor da prova quádrupula, assumindo o compromisso com a verdade, La verité avant tout, na linha de pensamento do cearense Farias Brito, o maior filósofo brasileiro, que cultuava a “Verdade como Regra das Ações”. Esta é uma síntese apertada dos feitos do Companheiro Ednilo.
Para complementar, convém uma rememoração histórica : Em 27 de agosto de 1824, aqui em Fortaleza, JOÃO GOMES DE MATOS, Pernambucano que se radicara em Parangaba, prestou o seguinte juramento:

JURO AOS SANTOS EVANGELHOS VOLUNTARIA E SOLENEMENTE DEFENDER E GUARDAR A RELIGIÃO CATOLICA E APOSTOLICA ROMANA. JURO DAR A ULTIMA GOTA DE SANGUE PARA MANTER E SER FIEL Á CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR QUE É A UNIÃO DAS QUATRO PROVINCIAS AO NORTE DO CABO DE SANTO AGOSTINHO, E AS DEMAIS QUE PARA O FUTURO SE FOREM UNINDO DEBAIXO DA FORMA DO GOVERNO, QUE ESTABELECER A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE. JURO FAZER CRUA GUERRA AO DESPOTISMO IMPERIAL, QUE PRETENDE USARPAR NOSSOS DIREITOS, ESCRAVIZAR-NOS, E A OBRIGAR-NOS A FAZER A UNIÃO COM PORTUGAL, A QUAL JAMAIS ADMITIREMOS POR NENHUM TITULO QUE SEJA. JURO, ENFIM, FAZER GUERRA ETERNA A TODO DESPOTISMO, QUE SE OPUSER Á LIBERDADE DA NOSSA PATRIA, E IGUALMENTE JURO OBEDIENCIA AO GOVERNO SUPREMO SALVADOR. ASSIM DEUS ME AJUDE.
Este foi o juramento dos integrantes da CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR.
Pelo sentimento nativista que lhes movia, muitos confederados mudaram o sobrenome adotando os nomes de árvores, acidentes geográficos, animais típicos do Brasil, etc. Assim surgiram os ARARIPES, os IBIAPINAS, os SUCUPIRAS, os JUCÁS, os MORORÓS, ANTAS, e muitos outros.
JOÃO GOMES DE MATOS foi além; suprimiu o sobrenome MATOS e acrescentou BRASIL. JOÃO GOMES BRASIL fundou a enorme e influente família que se originou em Parangaba e lançou suas raízes em todos os campos, notadamente o do ensino.
EDNILO SOAREZ é tataraneto de João Gomes Brasil, enquanto o Marechal Casimiro Brasil Montenegro, fundador do Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA, é seu trineto.
É de se destacar que JOÃO GOMES BRASIL fundou e dirigiu um Colégio e na sua esteira seu trineto EDILSON BRASIL SOARES, pai de Ednilo e também detentor da Medalha Raimundo Oliveira, igualmente fundou e dirigiu um Colégio e por nutrir, como seu antepassado, arraigados sentimentos nacionalistas, cuidou de dar ao Colégio o nome de 7 de SETEMBRO, a data maior da nacionalidade. E este Colégio agigantou-se e germinou a Faculdade Sete de Setembro, hoje dirigida pelos irmãos Ednilton, Ednilo e Ednilze, destacando-se o companheiro Ednilo como seu Diretor Academico.
Considerando tudo isso, o Rotary Clube de Fortaleza-Alagadiço sente-se no dever de outorgar a Medalha Raimundo Oliveira ao exemplar rotariano EDNILO GOMES DE SOAREZ.
Outro que vai receber a Medalha Raimundo Oliveira Filho é o Diretor de Rotary Internacional, o companheiro Antonio Hallage, paulista radicado em Curitiba e que pertence ao Rotary Clube de Curitiba-Leste, do qual foi presidente em 1984/1985.